terça-feira, 23 de junho de 2015

Movimento dos Olhos

Outro artigo escrito pela Kathy Dooley, gosto muito desta série de anatomia que ela escreve no seu site: drdooleynoted.com. Aos que quiserem ler outros artigos sobre o mesmo tema adaptados para o português, podem achar aqui no blog e também no Blog da Fortius

Para os que preferem a leitura no original em inglês: Anatomy Angel: Eye Movement.
Boa leitura aos amigos!


Movimento Ocular
Kathy Dooley


Em todo tempo que passei aprendendo o movimento humano, nunca houve nenhuma ênfase a respeito da importância de observar o movimento do olho.
Então, no meu treinamento no curso nível III da Terapia Neurocinética , nós passamos horas estudando isso. (N.T: O curso da Terapia Neurocinética tem 3 níveis. E no nível 3 aprendemos a respeito do olho e suas implicações no movimento e nas compensações. Em julho teremos os cursos níveis I e II aqui no Brasil. Serão em Porto Alegre-RS).
Eu fiquei fascinada em como o movimento ocular é conectado à padrões de movimento globais.

6 músculos extraoculares rodam o olho ao longo de 3 eixos de movimento. 4 músculos de orientação reta (N.T: Músculo reto: superior, inferior, medial, lateral) envolvem o olho, fornecendo movimento norte/sul, leste/oeste. 2 músculos de orientação oblíqua fornecem angularidade ao movimento (N.T: Músculo oblíquo: superior e inferior).







Olhe para baixo, para o seu dedo mínimo do pé. Os pequenos músculos extraoculares não tem nem a metade da espessura e comprimento desse dedo. Ainda assim, estes músculos trabalham com o sistema vestibular para mostrar onde estamos no espaço em relação ao horizonte. 

Diferentes músculos estão encurtando e alongando a todo momento para coordenar o movimento dos dois olhos. Esta figura abaixo mostra como os músculos trabalham juntos:


LEGENDA:
RS: Reto Superior
RL: Reto Lateral

RM: Reto Medial
RI: Reto Inferior
OI: Oblíquo Inferior
OS: Oblíquo Superior


Para onde se movem os olhos, a cabeça e a coluna tendem a ir atrás. Se você está sempre olhando para baixo, a cabeça e a coluna tenderão a cair em flexão. O mesmo se aplica ao se olhar para cima e para os lados, com a cabeça e a espinha seguindo o movimento ocular.

Se o objetivo desejado do movimento requer rotação em determinado eixo, o cliente pode ser ensinado a fazer com que os olhos liderem o movimento (N.T: Fazendo com que o cliente olhe para um determinado ponto que sirva de referência e que coincida com o objetivo do movimento desejado. EX: Se o movimento requer uma rotação, ao cliente pode ser dito: "Olhe para o extintor de incêndio atrás de você").

O mesmo se aplica quando se quer prevenir um determinado movimento. Se o seu objetivo é não deixar o cliente estender demais a lombar em determinado movimento, não deixe que ele olhe muito para cima.

Movimento neutro do olho = tendência de uma coluna neutra.

Se algum paciente/cliente tem intolerância à flexão da coluna lombar, ele precisa ser ensinado a evitar ficar olhando muito tempo para baixo.

Movimentos globais podem ser ensinados em relação ao movimento do olho. Se o objetivo é ensinar um cliente/paciente a engatinhar com uma coluna neutra, eu quero que ele olhe para frente, com bom centramento da coluna neutra. Não quero essa pessoa olhando para 
baixo OU para cima se o neutro é o objetivo.



Se existe muita extensão lombar no kettlebell swing, não deixe o cliente olhar muito para cima.

Se está difícil de manter uma boa sincronicidade de ativação do núcleo (N.T: Núcleo, tradução em português da palavra em língua inglesa "core") para poder respirar calmamente, para caminhar ou correr - para onde o cliente está olhando?

Dê ao movimento do olho um dia de sua atenção e veja os resultados que irá obter por si mesmo. Então, ensine seus clientes/pacientes como usar este movimento reflexo do olho para melhorar padrões de movimento globais.


Como sempre, é com você.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Anatomia do Trapézio Superior

Outra peça sobre anatomia da ótima Kathy Dooley, quiroprata, anatomista, instrutora da Neurokinetic Therapy, ou como traduzimos no Brasil: Terapia Neurocinética.
Por ter extensa experiência em dissecação, Kathy escreve muitos artigos sobre relações anatômicas em seu site: drdooleynoted.com.
No site da Fortius, há outro artigo traduzido desta série: Conexões do Psoas.

Aos que quiserem ler o original em inglês: Anatomy Angel: Upper Trapezius.

Boa leitura aos amigos.

Anatomia do Trapézio Superior
Kathy Dooley



O trapézio é um músculo fascinante que assiste no movimento e estabilidade espinhal, assim como no movimento do ombro.

Este músculo leva seu nome em virtude da sua aparência trapezoide. Ele se origina no crânio, estendendo seu comprimento até a última vértebra torácica (meio das costas).
Ele se direciona lateralmente para inserir na parte espinhosa posterior da escápula e na parte pontuda, o acrômio, assim como na clavícula.

Este músculo é considerado um músculo dos membros que move o ombro e o pescoço, com pouca habilidade de mover o meio das costas. Através de suas conexões fasciais, ele com certeza estabiliza o movimento espinhal, primariamente no plano sagital.
Este músculo é um potente extensor.
O trapézio é o único músculo dos membros inervado pelo nervo cranial - mas não é inervado pelo tronco cerebral.

O ramo ventral (nervos motores e sensoriais) vindo da 1ª a 5ª vértebras cervicais, sai da espinha e toma um rumo ascendente para entrar no crânio, apenas para sair do crânio e atingir as placas motoras (N.T: Placa motora é a junção da extremidade de um ramo do axônio, com a célula muscular). Que é onde estes ramos inervam o trapézio e o esternocleidomastóideo.
Então, o trapézio é inervado pela parte superior do pescoço. Compressão articular de baixo nível nesta área, leva a uma facilitação aumentada das fibras superiores do músculo.

Nós adquirimos esta curva do pescoço quando começamos a tentar sustentar a cabeça para cima após nascermos. 

Muitos de nós ainda estão usando o pescoço para dominar o movimento.
Sustentar a cabeça foi uma de nossas primeiras grandes conquistas. Somos programados para buscar estabilidade e movimento ali.


O trapézio superior tem a função de elevação e rotação superior da escápula, assim como flexão lateral e extensão cervical. Basta imaginar um encolhimento de ombros para ver a ação do trapézio superior.

Este músculo está em uma relação de força com o trapézio inferior e serrátil anterior para a poderosa ação de rotação superior da escápula.

Mas quando há compressão do pescoço ou o trapézio superior está trabalhando demais (N.T: Do termo em inglês "overused"), esta azeitada relação de forças é perturbada. Uma vez que o trapézio insere na clavícula e no acrômio, ele acaba influenciando no movimento da articulação acromioclavicular. Esta articulação permite movimentos acima da cabeça.

Então, o mesmo músculo que facilita movimentos acima da cabeça, pode na realidade impedi-los quando está sobrecarregado. Se é permitido ao trapézio superior ser dominante nos movimentos, a biomecânica do ombro é alterada significativamente. Instabilidade do ombro irá se seguir logo.

Então, a maior parte dos problemas do ombro se inicia como problemas do pescoço. Lembre-se: É o trapézio superior que se insere no pescoço e no crânio. Se você está focado na mecânica do ombro sem levar em consideração o pescoço, você está perdendo informações importantes.

Avalie o pescoço.

Então, avalie o sistema de forças do trapézio superior/trapézio inferior com o serrátil anterior. Inicie aqui, depois parta para outros motores primários do ombro, como o peitoral maior e grande dorsal. Sem esquecer dos estabilizadores, como os músculos do grupo manguito rotador (N.T: Supraespinhoso, infraespinhoso, redondo menor e subescapular).

Mas não pule o pescoço e a coluna. Na verdade eu encorajo as pessoas a começarem a investigar ali. Se seu cliente ficar inquieto do porque você não estar avaliando o "ombro", explique a parte anatômica do trapézio superior e suas inserções, assim como a inervação que vem do pescoço.


Como sempre, é com você.

terça-feira, 24 de março de 2015

Notas Sobre Anatomia Funcional - Final

Finalizando a série de anatomia funcional com mais alguns músculos para levarmos em consideração, o material (A série de DVDs: "Building the Efficient Athlete do Mike Robertson e Eric Cressey") é bem mais amplo, não se limitando somente a estes músculos que inseri e não fala só de anatomia.
Recomendo que vejam os dvds que são bem interessantes. 


Aos que não leram as 4 primeiras partes, aí vão os links:
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 1
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 2
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 3
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 4

Boa leitura aos amigos!


Notas Sobre Anatomia Funcional - Final 
Marcus Lima


Infraespinhoso e Redondo menor.
Infraespinhoso:
Funções Primárias: Rotação externa do úmero, estabilização da articulação glenoumeral (parte do grupo “manguito rotador”), depressão da cabeça umeral. 

Implicações:
- Fracos/alongados devido à postura.

 Quantas pessoas fazem rotações externas nos seus programas de treinamento, a fim de “fortalecer” o manguito rotador? Rotações externas (feitas geralmente com resistência elástica ou com cabos) são importantes e têm seu espaço, o que poucos prestam atenção, é o que acontece com a cabeça do úmero.
→ Muitas vezes, o que ocorre é uma anteriorização da cabeça umeral (O que Shirley Sahrman chama de Síndrome do Deslizamento Anterior: “Anterior Glide Syndrome” em seu ótimo livro – Diagnosis and Treatment of Movement Impairment Syndromes).








                                                                   






Flexores profundos do pescoço:

Músculos específicos: Longo da cabeça, longo do pescoço.

Função Primária: Flexão da coluna cervical, rotação e flexão ipsilateral.

Implicações:
- Frequentemente inibidos pelo esternocleidomastoideo e subocipitais. Lembrar da postura com a cabeça projetada a frente.

- Inibição leva ao comprometimento do movimento de flexão do pescoço (Muitas vezes levando a uma dominância do esternocleidomastoideo).

- Podemos usar o exercício de ativação dos flexores profundos do pescoço (caso se constate que estão de fato inibidos) apoiando a cabeça contra a parede (Como na figura ao lado). A dica verbal pode ser: "Faça um queixo duplo" (dica de foco interno) ou "Tente empurrar a parede (não com muita força) com o pescoço" (dica de foco externo).



OBS: Sobre dicas verbais internas x externas, traduzi um artigo interessante a respeito tempos atrás: Ciência e Aplicação de Dicas Verbais - Parte 1; Ciência e Aplicação de Dicas Verbais - Parte 2.





Serrátil anterior:
Função Primária: Manter a escápula firme contra o gradil costal, protração (abdução) e rotação superior da escápula.

Implicações:
- Frequentemente inibido em seguida a um trauma (É o vasto medial oblíquo da parte superior do corpo). Também pode sofrer inibição em virtude de má postura prolongada.

- Disfunção leva a uma escápula alada e falta de rotação superior.

- O que a falta de rotação superior da escápula causa?  = Impacto no ombro.

- Lembrar também que a torácica invariavelmente estará envolvida nos casos de impacto no ombro.

- Há uma continuidade de tecido fascial entre o serrátil anterior e os rombóides, são parte do que Thomas Myers chama de linha espiral, dentro de sua visão de continuidades miofasciais, chamada de Trilhos Anatômicos (agora já bastante conhecida aqui no Brasil). Ele os chama de "romboserrátil", quase como se fossem um único músculo, embora como vemos aqui na descrição das funções destes 2 músculos, eles tenham funções antagônicas em relação a escápula. Quase como se estivessem em um cabo de guerra (como podemos ver nas imagens abaixo, retiradas do livro: Trilhos Anatômicos).


















Rombóides:
Função Primária: Retração, elevação, rotação inferior da escápula.

Implicações:
- Podem se encontrar rígidos/encurtados 

- Ajuda a equilibrar o padrão de movimento de empurrar na horizontal (Como ao fazer um supino ou outro exercício de empurrar, lembrar do cabo de guerra com o serrátil anterior).

- Pode estar inibindo o trapézio médio e inferior.

- Síndrome da rotação inferior da escápula (Ombros caídos).




Grande dorsal:
Função Primária: Extensão, adução horizontal e rotação interna do ombro, depressão da escápula.

Implicações:
- Rígido/sobrecarregado em virtude de treinamento e postura.
Obs: Embora eles se posicionem dessa forma no material, tenho visto MUITO frequentemente o músculo grande dorsal inibido ao realizar o teste da Terapia Neurocinética (Informações sobre a Terapia Neurocinética no site da Fortius ou na página do facebook) para o grande dorsal. É uma área incerta, portanto.

- Grande dorsal e peitoral são realmente antagonistas? Sim em algumas funções, mas não em todas, assim como muitos outros pares de músculos (Antagonistas na flexão do ombro, sinérgicos na rotação interna e adução horizontal, para ficar só em funções de cadeia cinética aberta).

- Ligação miofascial com o glúteo contralateral, através da fáscia toracolombar. Fazendo com que essa conexão seja uma importante transmissora de forças. Chuck Wolf chama isso de Fator X Posterior (Saiba mais no artigo: Anatomia Funcional - Grande Dorsal, publicado no blog da Empresa Fortius de Porto Alegre) 






Teste de Comprimento para o grande dorsal:
- Coluna lombar flexionada (plana contra o solo ou uma maca).
- Joelhos flexionados.
- O individuo com os braços acima da cabeça, consegue tocar no solo?



Subescapular:
Função Primária: Rotação interna do úmero, estabiliza a articulação glenoumeral (parte do grupo “manguito rotador”), depressão da cabeça umeral, puxa a cabeça umeral posteriormente (contrabalança a força exercida pelo peitoral maior, que puxa a cabeça do úmero anteriormente).

Implicações:
- Fraco/alongado ou rígido/sobrecarregado devido à postura (Fraco/alongado devido a cabeça do úmero estar anteriorizada ou rígido/sobrecarregado pelo ombro estar em rotação interna. Pode cair nas 2 categorias).

- Síndrome do deslizamento anterior do úmero. O subescapular deveria auxiliar em conter esse deslizamento anterior, junto com o deltóide posterior.

- A cabeça umeral desliza anteriormente acompanhada de rotação interna? Mesma ideia exposta anteriormente, peitoral maior e subescapular participam da rotação interna do ombro, mas o subescapular ajuda a conter o deslizamento anterior causado pelo peitoral, se ele não funciona e o peitoral é predominante, problemas podem aparecer, como impacto anterior por exemplo.




Supraespinhoso:
Função Primária: Primeiros 15º de abdução do úmero, estabiliza a articulação glenoumeral (parte do grupo “manguito rotador”).

Implicações:
- Músculo que mais se lesiona do grupo do manguito rotador (A imagem abaixo, mostra facilmente porque). Existe pouco espaço de onde o tendão do músculo está e o acrômio, esse espaço (chamado de espaço subacromial) é muito estreito. Qualquer problema na escápula, torácica, falta de ativação apropriada nos músculos da região (ou 1 ou mais desses problemas juntos), pode fazer com que haja impacto sobre o supraespinhoso.






Bíceps braquial:
Função Primária: Flexão do cotovelo, supinação do antebraço, flexão e adução horizontal do ombro (somente a cabeça longa do bíceps), estabilização anterior da cabeça do úmero.

Implicações:
- Impacto, tendinoses (Assim como ocorre com o supraespinhoso, o tendão da cabeça longa do bíceps também pode sofrer as mesmas consequências, por estar situado na mesma área).

- Lesões no lábrum (O "menisco" do ombro, ajuda a aumentar a superfície de contato entre a fossa glenóide e a cabeça do úmero, aprofundando a concavidade da fossa). Como a cabeça longa do bíceps se origina como uma extensão parcial do lábrum, problemas no tendão da cabeça longa, irão afetá-lo. 

- Inclinação anterior da escápula. A cabeça curta do bíceps braquial, se insere no processo coracóide (Assim como o peitoral menor, quase sempre culpado pela inclinação anterior excessiva da escápula, e o coracobraquial) então, muitas vezes, a cabeça curta do bíceps tem participação na anteriorização excessiva  da escápula.


Análise estática da inclinação anterior da escápula: Os músculos do processo coracóide (Coracobraquial, cabeça curta do bíceps braquial e peitoral menor).

- Deitado, braços ao longo do corpo com as palmas das mãos para cima. A partir dessa posição, se analisa se um ou os dois ombros se eleva(m) do solo (Observar também se existe alguma assimetria entre os lados). 

Modificadores:
Se existe essa elevação do ombro do chão (causada pela inclinação anterior da escápula), podemos introduzir algumas modificações para tentar achar o culpado:
- Fazendo uma flexão do cotovelo: Coloca o bíceps braquial em uma posição “folgada”, se eliminar a anteriorização da escápula, sabemos que o bíceps é culpado.

- Flexão do cotovelo + ligeira flexão do ombro: Coloca o coracobraquial em uma posição “folgada”, se eliminar a anteriorização da escápula, sabemos que o coracobraquial é culpado.


- O que sobra? Peitoral menor. Se ao fazer as 2 modificações a posição do complexo não se alterar, sabemos que o culpado é o peitoral menor.

domingo, 26 de outubro de 2014

Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 4

Dando continuidade a série de anatomia funcional...uma das frases contidas no material, que creio melhor descrevem a importância de se ter esse conhecimento anatômico é: "A estrutura dita a função, se não entendemos a estrutura, não seremos capazes de entender a função e programar de acordo". 

Aos que não leram as 3 primeiras partes, aí vão os links:
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 1
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 2
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 3


Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 4
Marcus Lima

Antes de começar com o primeiro músculo, as fibras posteriores do glúteo médio, revisemos o que foi dito a respeito das fibras anteriores dele:


Glúteo Médio (fibras anteriores): 

Função Primária: Abdução, FLEXÃO e rotação INTERNA do quadril.

Implicações:
- Funciona de maneira similar ao tensor da fáscia lata e glúteo mínimo.

- Contribuinte para dor ântero-lateral no joelho.

- Tem uma arquitetura semelhante ao deltóide (pensar nas funções do deltóide anterior x posterior). Diferentes porções dos músculos as vezes desempenham diferentes funções.

- Uma compensação comum causada por esta por porção do glúteo médio anterior é a flexão com rotação interna do quadril (no momento da flexão do quadril acima de 90º).
  

- Tem a tendência de se sobrepor às fibras posteriores. Assim como outras estruturas anteriores do quadril, tende a ser sobrecarregado, tornando-se rígido.



Glúteo Médio (fibras posteriores): 

Função Primária: Abdução, EXTENSÃOrotação EXTERNA do quadril.

Implicações:
Devido à posição de adução e rotação interna do quadril, acaba ficando em uma posição que coloca suas fibras em alongamento e por conseqüência incapazes de exercer tensão apropriada e por conseguinte afetando a estabilidade do joelho (por isso é considerado geralmente como: alongado/fraco).
Adução e rotação interna do quadril. Teste: Step Down

- Considerado o estabilizador chave do quadril. É necessário haver um equilíbrio de forças entre estruturas anteriores do quadril, como o tensor da fáscia lata e as fibras anteriores do glúteo médio (que exercem força anterior no trato iliotibial – e por conseqüência no joelho) e as estruturas posteriores, as fibras posteriores do glúteo médio (que irão também exercer uma força posterior no trato iliotibial). Esse equilíbrio ou a falta de tem implicações na dor patelofemoral.

- Frequentemente inibido pelo quadrado lombar, músculos anteriores do quadril (tensor da fáscia lata, fibras anteriores do glúteo médio), etc.

- Notem que as fibras anteriores e posteriores do glúteo médio tem a mesma função no plano frontal: abdução do quadril, mas possuem funções antagônicas no plano transverso (fibras anteriores: rotação interna; fibras posteriores: rotação externa) e no plano sagital (fibras anteriores: flexão; fibras posteriores: extensão). 




Vasto Medial: 
Função Primária: Extensão do joelho, rotação interna da tíbia com o joelho em flexão.

Implicações:
- Fundamental na estabilização patelar (ao exercer uma força medial na patela: cabo de guerra contra as estruturas que puxam a patela lateralmente).

- Na maior parte das vezes inibido, com as estruturas que exercem tensão lateral, sendo dominantes (vasto lateral, trato iliotibial), por vezes com a conseqüência de dor lateral no joelho.

- As fibras distais do músculo, o chamado vasto medial oblíquo (chamado assim pela orientação das fibras) são as que se tornam inibidas durante traumas no joelho (o termo inibido representa um atraso no tempo de resposta da ativação do músculo).

- Nas palavras do apresentador do material, o Mike Robertson, uma possível abordagem nesses casos seria:
      - Liberação das estruturas laterais (através das técnicas disponíveis: manuais ou de autoliberação): vasto lateral, glúteo médio anterior, tensor da fáscia lata.
- Ativação da porção posterior do glúteo médio.
A tradicional crença no fortalecimento do vasto medial oblíquo talvez não seja possível de ser realizada. 
E nas minhas palavras, provavelmente após isso, tenhamos de integrar essa abordagem sugerida em outras atividades: treino de força unilateral de membros inferiores, saltos unilaterais com ênfase inicial na desaceleração, etc. Lógico que cada caso deve ser analisado individualmente.
À esquerda: Agachamento unilateral; À direita: salto unilateral na caixa (ou box hops, em inglês)



Reto abdominal: 
Função Primária: Flexão do tronco, depressão do gradil costal, retroversão pélvica. 

Implicações:
- Alongado/fraco (mesmo raciocínio exposto acima em relação às fibras posteriores do glúteo médio), devido a anteversão pélvica, especialmente sua porção distal (que insere na sínfise púbica).

- Prescrever abdominais tradicionais (crunches na língua inglesa) é a solução? Estaremos treinando apenas uma função: a flexão do tronco. Lembrar do encurtamento adaptativo, para aqueles que fazem milhares de abdominais diariamente. Neste cenário, é provável que a função do glúteo sofra, tornando-se inibido e contribuindo para todos tipos de disfunções: lombar, joelho, isquiotibiais, adutores, etc.


- Na primeira implicação, vemos um cenário: posição alongada; na segunda, outro cenário: posição encurtada. É necessário que haja um alinhamento neutro da pelve.

- Talvez seu papel mais importante seja a de prevenir movimento: Função "anti-extensão lombar", e não produzi-lo, embora possa fazê-lo e muitas vezes seja necessário que o faça em muitas atividades.

- A estrutura dita a função, se não entendemos a estrutura, não seremos capazes de programar de acordo.

- De acordo com Stuart McGill (reconhecido expert na área da coluna lombar), necessitamos de estabilidade na lombar, mobilidade nos quadris e coluna torácica, a fim de poupar a lombar de carga excessiva. Um conceito já bastante conhecido, estabilidade no centro, mobilidade acima e abaixo dele.



Peitoral maior: 
Função Primária: Flexão e adução horizontal do ombro, rotação interna da articulação glenoumeral (com uma puxada anterior da cabeça do úmero).

Implicações:
- Roda a cabeça umeral internamente, mas  além disso a puxa anteriormente. 

- Duas porções diferentes: esternal e clavicular.

- Rígido/sobrecarregado em virtude de postura e treinamento.

- Síndrome do "supino", comum em frequentadores de academias, excesso do padrão de empurrar em comparação com a falta do padrão de puxar no treinamento (desequilíbrio entre os padrões no treino de força).

- Quantos pessoas passam horas sentadas? = Postura adaptativa.




Peitoral menor: 

Função Primária: Protração (abdução) da escápula, depressão e rotação inferior da escápula, estabilização escapular. 

Implicações:
- Notar a inserção no processo coracóide: Implicações no deslizamento anterior da escápula ("Síndrome do deslizamento anterior da escápula": Causando impacto nos tecidos moles através da diminuição do espaço sub-acromial).

- Melhor tratamento são métodos manuais de liberação para este músculo.
Rotação superior e inferior da escápula
Espaço subacromial



Trapézio superior: 

Função Primária: Elevação e rotação superior da escápula.

Implicações:
- Rígido/sobrecarregado em virtude de postura e treinamento.

- Dominante em relação ao trapézio médio e inferior.

- Par de forças juntamente com serrátil anterior e trapézio inferior para produzir rotação superior da escápula, precisam trabalhar sinergisticamente de maneira apropriada, a fim de não ocorrer um desequilíbrio que leve a compensações e consequentemente a problemas no ombro. O serrátil anterior é parte importante da equação, tende a ser inibido frequentemente pelas fibras superiores do trapézio.

- Podem estar inibidos, embora não seja comum.  



Levantador da escápula: 
Função Primária: Elevação e rotação inferior da escápula.

Implicações:
- Culpado por associação com o trapézio superior - pessoas com ombros encolhidos no computador por exemplo.

- Implicações em dores de cabeça e dor na borda medial da escápula.

- Compensação em pessoas com impacto no ombro. Se o supraespinhoso por alguma razão, se encontra impedido de realizar a sua função de elevar o úmero nos primeiros 15º do 

movimento (devido a lesão, alguma ruptura ou inibição), o levantador da escápula compensa encolhendo o ombro (provavelmente com alguma participação do trapézio superior) colocando o úmero em uma posição de aproximadamente 15º de abdução para que o deltóide possa assumir o movimento dali por diante. 

- Sempre observar a relação entre a borda medial e lateral da escápula. Em pessoas com "Síndrome de rotação inferior da escápula": Pessoas com a escápula rodada inferiormente, comum em quem senta por longas horas no computador com o teclado ou os braços da cadeira muito baixos, a borda medial da escápula ficará mais próxima à coluna torácica. O resultado comum, é rigidez no rombóide, levantador da escápula e inibição do serrátil anterior, com consequências diversas: dor medial na escápula, dores de cabeça, impacto no ombro, etc.



Esternocleidomastóideo:
Função Primária: Rotação no lado OPOSTO à contração (Ex: quando o lado direito contrai, a cabeça gira para a esquerda), flexão lateral do pescoço (no lado da contração), agindo em conjunto flexionam o pescoço. 

Implicações:
- Protrusão do pescoço (cabeça à frente).

- Dominante em relação aos flexores profundos do pescoço (músculos longo da cabeça e longo do pescoço). 

- Puxa a cabeça anteriormente (postura da cabeça a frente).




Redondo Maior:
Função Primária: Extensão e adução horizontal do ombro, rotação interna da articulação glenoumeral.

Implicações:
- Rígido/sobrecarregado em virtude de treinamento e postura (excessiva rotação interna do úmero).

- “Mini grande dorsal”, funções parecidas, embora não o mesmo comprimento de alavanca do grande dorsal.







Trapézio médio e inferior:
Função Primária: Médio: retração (adução) da escápula; Inferior: depressão, retração e rotação superior da escápula.

Implicações:
- Frequentemente inibidos pelas fibras superiores.

- Difícil de serem treinados, difícil das pessoas terem a percepção do que devem fazer nos exercícios de ativação das fibras médias e inferiores do trapézio.

- Trapézio inferior forma uma combinação de forças com o serrátil anterior e o trapézio superior na rotação superior da escápula (relação explicada mais acima no artigo).


Breve a parte final do artigo...