domingo, 19 de outubro de 2014

Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 3

E seguem as notas a respeito do material do Cressey/Robertson: Building the Efficient Athlete, lembrando que a série de dvds é muito mais abrangente, eu é que me detive nesse aspecto: Considerações relacionadas à anatomia funcional. 

Aos que não leram as 2 primeiras partes, aí vão os links:
Notas em Anatomia Funcional - Parte 1.
Notas em Anatomia Funcional - Parte 2.

Um grande abraço a todos e espero que me perdoem a demora eterna em publicar, aproveito e agradeço as muitas manifestações de apreço que recebo, obrigado gurizada!


Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 3
Marcus Lima


Fibular Longo: 
Função Primária: Eversão (abdução do pé), contribui na flexão plantar.

Implicações:
- Normalmente rígidos/sobrecarregados juntamente com o gastrocnêmio/sóleo. Os flexores plantares normalmente são sobrecarregados, pensar em quantos passos são dados diariamente (ou corridas, etc.) reforçando essa rigidez/atividade anormal.  

Desequilíbrio entre Flexores plantares x Dorsiflexores. Problemas na perna podem causar problemas mais acima na cadeia cinética. 










Gastrocnêmio/Sóleo:
Gastrocnêmio à esquerda e sóleo a direita
Função Primária: Flexão plantar; flexão do joelho (gastrocnêmio). Ainda que sejam referidos normalmente em conjunto e tenham funções semelhantes, tem algumas funções diferentes (lembrar que só o gastrocnêmio cruza a articulação do joelho)

Implicações:
- Desequilíbrio muscular na perna: gastrocnêmio/sóleo rígidos/sobrecarregados X dorsiflexores (como o Tibial Anterior) fracos/inibidos.
Flexão plantar
- Pensar no item anterior, e na falta de mobilidade de tornozelo que vemos em grande parte das pessoas, ao prescrevermos exercícios para a perna (como os exercícios com foco na panturrilha, tão comuns em academias).

- Problemas na panturrilha refletem em problemas como: tendinoses no tendão calcâneo, fasciite plantar (Lembrar da Linha/Trilho Superficial Posterior - Thomas Myers: O conhecido conceito das continuidades de fáscia e/ou continuidades mecânicas interligando diferentes locais do corpo ao qual o Myers chama de trilhos, em uma analogia com linhas férreas. Poderíamos chamar também de cadeia posterior).
Linha Superficial Posterior
(da fáscia plantar até a fáscia do couro cabeludo)


Oblíquo interno:

Função Primária: Flexão do tronco (ação bilateral), rotação do tronco (ação unilateral em conjunto com o oblíquo externo oposto).

Implicações:
- Recrutado mais para flexão do tronco do que para retroversão da pelve. 















Transverso abdominal:


Função Primária: Expiração forçada, “encolher a barriga” (abdominal hollowing) – aumento da pressão intra-abdominal.

Implicações:
- Ganhou muita fama como promotor da saúde lombar no final da década de 90 e início da década de 2000 (provavelmente devido a um estudo de Paul Hodges e Carolyn Richardson, que demonstrou que indivíduos com dor lombar crônica tinham atividade diminuída do transverso abdominal, mais precisamente um atraso na ativação, quando comparados a indivíduos saudáveis).

- Stuart McGill, conceituado pesquisador canadense, advoga o uso de bracing (técnica de “enrijecer” a parede abdominal) para ter um tronco estável ao realizar tarefas, com cargas pesadas principalmente. Vejo muito uma combinação de respiração diafragmática (aumentando a pressão intra-abdominal, como um balão cheio de ar) + a técnica de bracing. O resultado (ao menos empiricamente) é um tronco estável e apto a receber carga.

- A menos que haja alguma questão específica, treinar o transverso é algo que não deveria nos preocupar.


Multífidos:



Função Primária: Estabilização segmentar (entre os segmentos vertebrais), propriocepção espinhal.

Implicações:

- Similar ao transverso abdominal, abordado anteriormente, em casos de dor lombar tendem a estar inibidos ou com atraso de ativação.

- A função proprioceptiva, talvez seja a mais importante, informando ao sistema nervoso central o que está ocorrendo na coluna.








Glúteo Máximo:


Função Primária: Extensão, rotação externa e abdução do quadril.

Implicações:
- Tendem a estar fracos e com comprimento muscular maior do que o normal (“alongado”) devido à anteversão pélvica.

- Fraqueza/inibição, leva a uma série de problemas: estiramentos de adutores e isquiotibiais (estes 2 problemas provavelmente ocorrem devido a uma dominância dos sinergistas, os auxiliares, na extensão do quadril. O velho caso de: Se o Chefe-glúteo não faz seu trabalho os Auxiliares-isquiotibiais-ou-adutores tomam a tarefa para si, e sobrecarregados tendem a sofrer lesões). Dores lombares podem ter relação com fraqueza/inibição do glúteo máximo (de novo, se o glúteo não faz o trabalho, provavelmente a quantidade de extensão lombar aumenta em uma tentativa de compensar).

- Não basta somente ativar os músculos (com progressões de pontes ou progressões em 4 apoios), estes músculos precisam ser mais fortes também.

- Relação com a síndrome do deslizamento anterior da cabeça femoral (impacto anterior no quadril). O glúteo, por ter inserção direta no fêmur, tem papel importante em manter a cabeça do fêmur contra o acetábulo, controlando uma rotação apropriada na articulação (um eixo de rotação correto e equilibrado), puxando a cabeça do fêmur posteriormente. Se por exemplo os isquiotibiais assumem o trabalho principal na extensão do quadril, a alavanca produzida por eles faz com haja uma translação anterior da cabeça do fêmur = impacto anterior no quadril = dor anterior no quadril (Essa é uma teoria da fisioterapeuta Shirley Sahrmann, sugiro a leitura de seu livro: Diagnoses and Treatment of Movement Impairment Syndromes).

Espero não demorar tanto tempo para publicar a próxima...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 2

Antes de dar continuidade com mais músculos apresentados, queria retornar em uma questão em particular e adicionar mais algumas informações que acho que ficaram incompletas. Vamos nos deter no quadrado lombar, reproduzirei novamente algumas informações dadas na Parte 1 (aqui o link: Notas Anatomia Funcional - Parte 1) deste artigo.

Quadrado Lombar:

Função Primária: Flexão lateral do tronco (com os pés fixos no chão), elevação da pelve do mesmo lado (em cadeia cinética aberta).

Implicações:
- Contribui para o desnível da pelve (quadril alto), no lado onde está tenso.

- Quando existem problemas de ativação com o glúteo médio, o quadrado passa a (tentar) assumir/auxiliar a abdução do quadril, ocorre quando vemos uma inclinação da pelve do lado oposto em movimentos no plano frontal. (Nota pessoal: Ligado ao mecanismo de lesão muscular dos adutores).


Queria me deter naquela Nota: Ligado ao mecanismo de lesão muscular dos adutores. Coloquei aquela observação baseado numa apresentação da treinadora e palestrante da Exos (antiga Athletes Performance) Nicole Rodriguez (uma extraordinária treinadora e palestrante). Vou reproduzir as notas que fiz do que a Nicole explicou a respeito de um dos mecanismos de lesão dos adutores em atletas, durante uma de suas palestras na Mentorship da Exos em Buenos Aires em novembro de 2013. Ela fez a discussão em cima de uma foto de um jogador de rugbi (como estávamos na Argentina, onde o rugbi é popular, fez sentido), mas podemos aplicar a qualquer esporte. Reproduzo minhas anotações abaixo:

Discussão e Análise de Foto de Rugby – Mudança de Direção (mecanismo de lesão de adutores):

- Ombros e troncos estão altos na figura e ele está em uma posição equilibrada.

- Se o tronco não é forte e estável o ombro esquerdo sairia do alinhamento com o centro de massa (*tronco inclinado para a esquerda, para o lado da perna que está com o joelho em extensão e o pé no solo) no momento da mudança de direção. E é neste momento que lesões nos adutores acontecem,
(a inclinação para a esquerda do tronco neste exemplo criaria um stress 
excêntrico na região adutora do quadril. Como na foto da Nicole ao lado.
Especialmente se o atleta encontra-se em uma base ampla de suporte, com essa inclinação do tronco para o lado da perna que está estendida.  Daí a importância do ensino de maneira lenta/controlada da mudança de direção, para
que quando os atletas se movam rápido eles o possam fazer da maneira mais eficiente possível, mantendo a postura equilibrada.


- Exercícios tradicionais monoarticulares (em máquinas, ou com aqueles anéis usados no pilates) farão muito pouco em termos de redução do risco desse tipo de lesão muscular nos adutores. Assim como seu uso na reabilitação (no caso da lesão ter já ocorrido). Nesse exemplo da foto (do jogador de rugby), os adutores trabalham para estabilizar. 

Quando escrevi as notas sobre o material do Cressey/Robertson, no momento em que eles falavam na relação do quadrado lombar como substituto na abdução do quadril no caso de atraso de ativação do glúteo médio, e nas consequências desse atraso de ativação na estabilização do quadril, já que o glúteo médio desempenha um grande papel nisso, lembrei do que disse a Nicole e de que provavelmente os 2 estão conectados.


Pois se há atraso na ativação/fraqueza do glúteo médio e ocorrer esta substituição de ativação, a inclinação pélvica (no lado contrário a contração do quadrado lombar) causada por está contração do quadrado lombar, somada a flexão lateral da lombar no momento de uma mudança rápida de direção pode causar lesão muscular nos adutores, como explicou a Nicole Rodriguez. Olhando a foto ao lado fica mais simples de visualizar isso, é só imaginar a contração do quadrado lombar do mesmo lado dos músculos adutores mostrados, isso causará uma inclinação lateral da coluna para o mesmo lado e uma inclinação superior da pelve do lado oposto, pondo em estiramento todo o grupo adutor. É lógico que possivelmente existem outros elementos em toda essa relação causa-efeito que tentei fazer, mas muito provavelmente essa relação que teci existe.






Usando outro esporte como exemplo, os goleiros de handebol são submetidos a extremos de amplitude nos movimentos do plano frontal (abdução). Por isso devem manter uma boa estabilidade de tronco, um padrão de ativação e controle neuromuscular adequado afim de diminuir as chances deste tipo de lesão ocorrer. Como já vi acontecer com um de nossos goleiros aqui em nossa equipe de handebol, a ASH-Praxis, o movimento foi parecido com o da foto, a diferença é que o nosso goleiro estava com aquele joelho direito estendido e ao contrário do goleiro da foto, que está com o tronco ereto e bem posicionado, o nosso fez a flexão lateral da coluna para a direita, da qual falamos antes, causando um estiramento da região adutora.


 Além do treino de movimentos multidirecionais (deslocamentos laterais, rotacionais, mudanças de direção), e do treinamento de força unilateral (utilizando especialmente as variações sem suporte), o que possibilitará uma transferência do treino para a função exercida em campo/quadra seria o uso dos exercícios posturais na parede (“isometric holds”), trabalhando a postura estática e dinâmica (dependendo da variação utilizada). Na foto o meu amigo Tiago Proença, proprietário da BPro em Porto Alegre, executando uma das variações.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 1

Algumas anotações feitas ao assistir um dvd que já tem algum tempo de lançamento, mas que contém um material bem interessante, o dvd chama-se Building the Efficient Athlete e foi filmado durante um curso dado por 2 preparadores físicos norte-americanos: Eric Cressey e Mike Robertson.
Resolvi compartilhar as notas que fiz, onde se discute a respeito do papel de diversos músculos, eles colocam a função que é descrita nos livros tradicionais e adicionam algumas considerações a respeito de cada um destes músculos, achei que valia a pena compartilhar, pode ser que seja mais uma peça adicionada a montagem deste quebra cabeças que é a compreensão do funcionamento do corpo humano.

Espero que seja útil aos amigos.
Abraço aos amigos.


Notas sobre Anatomia Funcional - Parte 1

Marcus Lima



Membros Inferiores e Tronco

Reto Femoral:

Função Primária: Flexão do quadril, extensão do joelho.

Implicações:
- Flexores do quadril rígidos = glúteos fracos (através do processo de inibição recíproca).

- Pode estar associado a anteversão pélvica, aquela inclinação anterior da pelve que pode nos causar tantos problemas (pode não ser O culpado, mas está metido no problema).

- Rigidez do quadríceps (e o reto femoral é um deles) é uma das causas comuns de dor anterior no joelho.





Tensor da Fáscia Lata:

Função Primária: Flexão, abdução e rotação interna do quadril, um pouco de assistência na extensão do joelho.

Implicações:
- Frequentemente rígidos ou aderidos ao vasto lateral (através da banda iliotibial, como pode ser visto na foto do lado direito, onde são mostrados o vasto lateral e o tensor da fáscia lata, no membro esquerdo está somente o tensor da fáscia lata). Essa falta de deslizamento entre o vasto lateral e a banda (ou trato) iliotibial contribui para a dor lateral no joelho.

- Contribui para a lateralização da patela, pelos motivos citados no item acima.

- Melhor curso de ação são métodos manuais de liberação do trato iliotibial. 




Ilíaco:
Função Primária: Flexor e rotador lateral do quadril.

Implicações:

- Flexores do quadril rígidos = glúteos fracos (inibição recíproca, mesmo processo citado no músculo reto femoral).

- Quantas horas as pessoas passam sentadas? Adaptação à postura adotada por todos nós, fazendo com que o músculo se torne rígido.

- Ilíaco é DIFERENTE do Psoas! (embora comumente nos referimos a eles como Íliopsoas, possuem origens diferentes e diferem na função).






Psoas Maior:
Função Primária: 
No quadril: Flexor e rotador lateral. 
Na coluna lombar: Extensão e rotação lateral. 
Estabilidade lombar: Através da compressão axial e controle de carga excêntrica.

Implicações:
- Conexão com o diafragma e assoalho pélvico, através de fáscia (importante na estabilidade lombar).

- Está rígido ou Inibido? 
         - Podemos analisar o comprimento, para ver se há rigidez, através do Teste de Thomas.
         - Podemos analisar a ativação, para ver se é efetivo na ativação acima de 90º, através do Teste do Psoas em Pé – elevando uma perna.

- Verificar assimetrias (que lado é o culpado? Os dois lados estão iguais?)

- Pode causar anteversão pélvica, isso associado com a extensão lombar pode ser = Dor lombar.

- Único dos flexores do quadril que é efetivo acima dos 90° (por causa de seu braço de alavanca privilegiado).

- Thomas Test: Dá uma ideia da extensibilidade dos músculos flexores do quadril e de qual deles pode ser problemático.

- Compensações comuns: Se a coxa eleva (rigidez do psoas maior); Se a coxa eleva e o joelho estende (rigidez do reto femoral); Se ocorre abdução e rotação interna (rigidez do tensor da fáscia lata).


- Teste do Psoas em Pé - elevando a perna:
- Sustentar o joelho acima de 90º de flexão do quadril por 10 a 15 segundos.
- Procurar assimetrias e padrões compensatórios (inclinação anterior do quadril “se jogar para trás”, pode ser feito com as costas contra uma parede afim de eliminar essa compensação).Cãibra no tensor da fáscia lata é uma ocorrência comum, indicando uma tentativa de substituição da ação do psoas maior pela ação do tensor da fáscia lata, como sua alavanca é desfavorável, cãibras na região lateral do quadril podem ocorrer.
video
Como podemos ver no vídeo acima, assim que ela solta a perna, esta imediatamente desce e continua descendo aos poucos a medida que transcorre o teste. Indicando problemas com a ativação do psoas maior.


Vasto Lateral:
Função Primária: Extensão do joelho, com o joelho em flexão produz um pequeno torque de rotação externa da perna.

Implicações:
- Podem tornar-se rígidos e aderidos ao trato iliotibial (como mencionado anteriormente).

- As estruturas laterais do joelho e quadril tendem a predominar e tornarem-se rígidas e sobrecarregadas, em oposição às estruturas mediais (cabo de guerra: lateral x medial = patela pagando o pato. Fazendo com que a patela tenda a lateralizar e atritar de maneira anormal com a borda lateral do sulco chamado de tróclea femoral).

- Tende a puxar lateralmente a patela.


Adutor Magno:

Função Primária: Adução, rotação interna, flexão e extensão do quadril.

Implicações:
- Considerado o 4º isquiotibial (Thomas Myers, autor do ótimo livro: Trilhos Anatômicos). Myers o considera assim, por sua posição e função no que diz respeito ao quadril (como vemos no membro direito na foto. No esquerdo aparece o adutor magno sozinho).

- Sobrecarregado quando o glúteo é inativo. 
Na anteriorização da pelve: glúteo não funciona – dominância dos ísquios na extensão do quadril – em seguida vem o adutor magno

- Atleta mulher: 
Anteriorização da pelve: glúteo não funciona – quando há uma dominância do adutor magno, a extensão do quadril vem acompanhada de uma rotação interna, mais a adução do quadril, essa ação acentuada pela estrutura pélvica mais larga da mulher = mecanismo de lesão do Ligamento Cruzado Anterior do joelho (não se pode alterar a genética feminina, mas se pode melhorar a biomecânica de todo o complexo do membro inferior).

- Substituto do glúteo na extensão do quadril (quando há falta de ativação do glúteo: dominância sinergística). Como dito antes, o problema nem é tanto a extensão do quadril, mas sim os movimentos no plano transverso, onde não há o glúteo máximo para desacelerar a rotação interna, e quando há uma predominância do adutor magno a coisa fica pior porque ele é um rotador interno (devemos estimular o trabalho do glúteo como estabilizador no plano transverso).


Glúteo Médio Anterior:

Função Primária: Abdução, flexão e rotação interna do quadril

Implicações:
- Funciona de maneira similar ao tensor da fáscia lata e glúteo mínimo.

- Contribuinte para dor ântero-lateral no joelho.

- Tem uma arquitetura semelhante ao deltóide (pensar nas funções do deltóide anterior x posterior). Diferentes porções dos músculos as vezes desempenham diferentes funções.

- Uma compensação comum causada por esta por porção do glúteo médio anterior é a flexão com rotação interna do quadril (no momento da flexão do quadril acima de 90º).

- Tem a tendência de se sobrepor às fibras posteriores. Assim como outras estruturas anteriores do quadril, tende a ser sobrecarregado, tornando-se rígido.



Piriforme:
Função Primária: Rotação lateral e extensão do quadril.

Implicações:
- Um dos 6 pequenos músculos rotadores laterais (externos do quadril).

- Localizado superiormente em relação aos outros 5.

- Tensão excessiva leva a retroversão pélvica com conseqüente diminuição da curvatura lombar (flexão lombar), o que por sua vez pode levar a lesões discais. Pessoas com discopatias em geral apresentam rigidez no piriforme.

- Tensão excessiva, leva a falta de rotação interna do quadril, especialmente com o quadril flexionado a menos de 90º.





Quadrado Lombar:

Função Primária: Flexão lateral do tronco (com os pés fixos no chão), elevação da pelve do mesmo lado (em cadeia cinética aberta).

Implicações:
- Contribui para o desnível da pelve (quadril alto), no lado onde está tenso.

- Quando existem problemas de ativação com o glúteo médio, o quadrado passa a (tentar) assumir/auxiliar a abdução do quadril, ocorre quando vemos uma inclinação da pelve do lado oposto em movimentos no plano frontal. (Nota pessoal: Ligado ao mecanismo de lesão muscular dos adutores).

- A dominância da mão tem influência, destros geralmente terão o quadril direito mais alto, canhotos o esquerdo.





Eretores da Coluna:

3 nomes: Iliocostal, Espinhal, Longuíssimo do Dorso.

Função Primária: Extensão (ação bilateral), Rotação (quando um lado contrai).

Implicações:

- A anteriorização da pelve, além de inibir os glúteos, enrijece/encurta os eretores da espinha (sobrecarregados). Então além do glúteo alongado e fraco temos os eretores compensando e contribuindo para lesões (pensar no levantamento terra, talvez seja essa a causa e não o exercício em si).

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Alinhamento da Pelve para Reduzir a Dor

Mais uma grande contribuição da minha amiga Lara Félix na tradução, fazia algum tempo que queria publicar algo relacionado ao Postural Restoration Institute, cuja premissa ao pensar o corpo humano me chama a atenção, embora nunca tenha feito nenhum de seus cursos (presenciais, somente nos Estados Unidos até onde sei, ou via web) e nem tenha testado na prática a filosofia deles. Para mim, por enquanto, fica no campo das "ideias interessantes", mas que ainda não foram testadas de fato. Se algum dos leitores tem intimidade na prática com esta perspectiva, sinta-se a vontade de compartilhar suas ideias.
Grande abraço aos amigos.


Alinhamento Pélvico para Reduzir a Dor

Chad Waterbury


Pense no seu corpo como um carro de corrida. Se o carro está desalinhado, os amortecedores e pneus serão destruídos. E se você adicionar mais cavalos de potência e velocidade ao carro, esta destruição será ainda pior.
Lembrei desta velha propaganda: "Potência não é nada sem Controle"
Infelizmente, a possibilidade de seu corpo estar desalinhado é muito grande. Na verdade, se você é uma pessoa que treina pesado, eu quase posso garantir isso. Como estamos constantemente nos desafiando para ficarmos maiores e mais fortes, dores no quadril, nas costas ou nos joelhos podem ocorrer ou, se já ocorrem, piorar.

Ao longo dos anos, eu tenho sido um defensor da autoliberação miofascial, do alongamento e de outros exercícios corretivos. Se sua banda iliotibial está tensa e dolorida, você faz a autoliberação na mesma. Se os flexores do quadril estão rígidos, você os alonga. E se seus glúteos não estão funcionando corretamente, você deve executar Hip Thrusts (N.T: Exercício de ativação/fortalecimento da cadeia posterior, é uma variação da ponte, só que feita com a sobrecarga de uma barra).
Hip Thrust

No último ano, venho notando grande exaltação de técnicas de reposicionamento neuromuscular ensinadas pelo Postural Restoration Institute - PIR (N.T: Algo como Instituto de Restauração Postural). Então eu fiz os cursos de Restauração da Pelve e Miocinemática que eles oferecem. Foi um treinamento sensacional, que confirmou minhas suspeitas de que as modalidades usuais de autoliberação miofascial e alongamento não estavam corrigindo o problema.
(N.T: O PIR trabalha sob a premissa de que somos naturalmente assimétricos, a disposição de nossas vísceras não é simétrica por exemplo, o diafragma é assimétrico, o pulmão direito tem 3 lobos enquanto o direito tem 2 e assim por diante. Sendo assim, por sermos assimétricos, é previsível que determinadas mudanças irão ocorrer).
Muitas disfunções, sejam elas nos joelhos, nas costas ou nos ombros, eram originadas de uma pelve desalinhada. Mais especificamente, se você sofre de dor nessas áreas, o lado esquerdo de sua pelve provavelmente está com uma inclinação e uma rotação anterior para direita. Isso causa disfunções em uma cadeia de músculos que começa no diafragma e vai, em uma corrente contínua, até a parte de fora do joelho, na inserção do vasto lateral.

Quando a pelve roda e afeta negativamente essa cadeia de músculos, o PIR se refere a isto como: "Padrão da Cadeia Interior Anterior esquerda" (N.T: De tradução livre, no original o nome da cadeia é: left Anterior Interior Chain pattern - AIC. Começa no diafragma, passando pelo ilíaco, psoas, tensor da fáscia lata, vasto lateral e bíceps femoral).
Algumas das Cadeias do Postural Restoration Institute
E você quer saber? A sua pelve provavelmente é rodada para a direita.

Agora, como eu posso dizer que você tem o Padrão da Cadeia Interior Anterior esquerda sem testá-lo pessoalmente? Porque a estrutura assimétrica do seu corpo é predisposta a rodar a sua pelve para a direita e isso cria o Padrão da Cadeia Interior Anterior esquerda mencionado acima.

O corpo humano é assimétrico em estrutura e função. Estruturalmente, você tem um fígado grande na direita e um coração pequeno na esquerda. Você também tem 3 lobos no pulmão direito e 2 no esquerdo. Funcionalmente, o lado esquerdo do seu cérebro controla mais os seus movimentos do que o lado direito do mesmo. Esse é o motivo pelo qual pessoas canhotas são, muitas vezes, ambidestras em algum grau - o lado esquerdo do cérebro favorece o lado direito do corpo mesmo quando você escreve com sua mão esquerda.

Quando você considera a estrutura e a função assimétrica do corpo e acrescenta o fato de que nós vivemos em um mundo em que o lado direito é o dominante, não é uma surpresa que sua pelve tenha a tendência de rodar para direita. De fato, estamos constantemente deslocados para o lado direito, seja dirigindo ou parados numa fila de cinema.

Todos esses fatores podem deslocar sua pelve para a direita. Quando a pelve desloca, tudo que está acima e abaixo também irá deslocar para promover um alinhamento ideal do corpo. Isso é fácil de confirmar na posição em pé. É só rodar a pelve levemente para a direita e notar como as pernas e a parte superior do corpo também mudam de posição.

Então, quando novos clientes surgem, a primeira coisa que checo é o alinhamento pélvico dos mesmos. Se há falta de alinhamento, nenhum dos típicos exercícios de alongamento ou fortalecimento irá acabar com as dores na coluna lombar ou nos joelhos.

É altamente provável que sua pelve esteja rodada para direita, especialmente se sente dores nos joelhos ou na coluna lombar. Isso acontece até mesmo se você for canhoto(a), porque uma pessoa canhota tem as mesmas estrutura e função assimétricas que uma pessoa destra.

O vídeo a seguir, demonstra o exercício corretivo mais eficaz que já usei até o momento. É eficaz porque puxa sua pelve de volta para a esquerda, para um posicionamento correto, e tem um efeito de longo alcance, dos pés ao pescoço. É comum ver clientes chegando com dores nos joelhos ou nas costas que demonstram uma melhora imediata ao manterem a posição mostrada no vídeo por 20 a 30 segundos.

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Então, antes de treinar, tenha a certeza de estar com seu quadril corretamente alinhado. Você melhorará a performance e reduzirá a probabilidade de sentir dores nos joelhos ou nas costas. E se você sofre com estas dores, faça este exercício todas as manhãs e noites por uma semana. Se a dor reduzir, continue por 4 a 6 semanas para estabelecer um alinhamento melhor de quadril.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Estudos de Caso de Chuck Wolf

Continuando com as publicações inspiradas no Summit do Movimento.

Dessa vez apresento alguns estudos de caso de Chuck Wolf, preparador físico que possui seu centro de treinamento em Orlando - Flórida, Chuck é uma grande figura, dos apresentadores do Summit do Movimento de 2013 foi dele que ficamos mais próximos, desse tipo que bate papo contigo na mesa do café da manhã do hotel.
Delegação do RS (e alguns enxertos hehehe) com o Chuck "Lobo" (em pé no centro da foto)

Resolvi pegar uns estudos de caso na página da empresa dele, Human Motion Associates, e apresentar aos amigos para que conheçam um pouco mais seu trabalho, creio que irão apreciar.
Apesar dos 3 casos apresentados serem diferentes, há algo em comum: O fato de termos de pensar sempre em termos globais e não somente locais, geralmente os locais de dor e/ou disfunção são consequências e não causas. Outro fator comum que chama a atenção é o fato do Cuck sempre analisar o pé e o complexo do tornozelo em busca de possíveis causas e relações, lembro que ao ouvir as suas palestras no Summit de 2013 os conhecimentos dele em relação a esta área do corpo se sobressaiam, realmente ele manja e muito disso.
Como de costume inseri algumas figuras extras nos textos com a finalidade de facilitar a compreensão, bem como as tradicionais notas do tradutor.
Grande abraço aos amigos.


Estudo de Caso #1
Eu tive um caso interessante esta semana envolvendo um atleta de beisebol da 1ª divisão com um pós-operatório de 12 semanas de uma reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho direito.
Ligamento Cruzado Anterior (LCA)

Ele já está de volta ao beisebol, arremessando, rebatendo e fazendo corridas lineares. Sua queixa primária é de encurtamento/rigidez no trato iliotibial, panturrilha, flexor do quadril, joelho e oblíquos, sendo que alongamentos não lhe oferecem um alívio completo.
Banda ou Trato Iliotibial


Se você tem familiaridade com minhas idéias, você sabe onde eu fui olhar primeiro...o pé e o complexo do tornozelo.  Tenho visto pela minha experiência na clínica e a partir de um ponto de vista pessoal, que estas regiões frequentemente se tornam bastante tensas após uma lesão no joelho, cirurgia ou colocação de prótese (N.T: Em casos de osteoartrose avançada de joelho, a colocação de uma prótese é imperativa a fim de aliviar a dor). Lembro-me muito bem quando desenvolvi um antepé varo, rigidez de flexor de quadril, trato iliotibial e complexo glúteo. Desconforto na coluna lombar, falta de mobilidade na coluna torácica e rigidez da cintura escapular...tudo isso após uma cirurgia de colocação de prótese no joelho.
Antepé Varo

Na época, eu sentia que possuía uma flexão do joelho adequada, mas faltava o deslizamento posterior durante a flexão do joelho, os mesmos problemas que este jogador de beisebol estava enfrentando.
(N.T: No caso de uma flexão da tíbia sobre o fêmur, isto é, uma flexão em cadeia cinética aberta, a tíbia rola e desliza para trás. Já no caso de uma flexão em cadeia cinética fechada, como ao descer em um agachamento: flexão fêmur sobre a tíbia. O fêmur rola para trás e desliza para frente. Neumann, D.A. Cinesiologia do Aparelho Musculoesquelético, 2005).

Eu chequei sua dorsiflexão de tornozelo, abdução do antepé, eversão da articulação subtalar e rotação interna da tíbia, todas com limitação de mobilidade.
Articulação Subtalar

Quando ele fazia um simples agachamento unilateral, com amplitude limitada, seu calcanhar direito (do mesmo lado da lesão no joelho) se elevava do solo logo no início do movimento, justamente devido a essa falta de mobilidade em todo complexo, afetando todo o mecanismo de carga da extremidade inferior, no tornozelo e no quadril (N.T: Nas articulações acima e abaixo do local de lesão primário, o joelho). Isto irá criar uma distribuição de carga abaixo do esperado no complexo glúteo, especialmente no lado do joelho lesionado.
Analisando seu complexo pélvico, ele exibia uma anteversão pélvica, causada por rigidez no complexo dos flexores do quadril, incluindo o quadríceps e o sartório.
Anteriorização Pélvica

Isto causava uma inabilidade de colocar carga de maneira efetiva nos glúteos. Como os glúteos no seu lado direito eram fracos (N.T: Mesmo lado da lesão primária no joelho), as fibras encurtaram causando um aumento de comprimento da banda iliotibial e a sensação de rigidez. Na realidade, a banda iliotibial NÃO ESTAVA encurtada e rígida, mas alongada e tensa, ainda que a sensação fosse a mesma. Alongamento não irá resolver este problema, apenas tratar o sintoma. Mais tarde nesta semana, irei avaliar as estratégias que usarei para ajudar este jogador de beisebol.
A moral da estória é:
"Pense em termos globais, não apenas localmente, quando os sintomas se apresentarem".
Neste caso, o joelho e o quadril eram as vítimas, mas o pé e o complexo do tornozelo se tornaram afetados e causaram um grande impacto em toda a biomecânica do membro inferior.


Estudo de Caso #2
Outro caso interessante esta semana, uma golfista destra veio me ver apresentando uma queixa de dor no pulso esquerdo, especialmente no ponto alto de seu backswing (N.T: Deixei o termo de golfe no nome original mesmo).
Tiger Woods - Ponto alto do Backswing
A amplitude de movimento na articulação radioulnar estava boa, e a do punho também. Uma análise do movimento da marcha revelou rigidez na sua escápula esquerda e quadril direito, reduzindo sua habilidade de produzir movimento adequado durante seu backswing. A correlação é o Fator X Posterior (quadril e ombro opostos) reduzindo sua habilidade de rotação interna do quadril direito. (N.T: Chuck chama de Fator X Posterior a ligação entre o ombro e o quadril oposto via fáscia toracolombar, uma importante conexão de estabilização e transmissão de forças entre os membros superiores e inferiores).
Fator-X Posterior

Isto causava uma rotação interna reduzida em sua cintura escapular direita, e seu punho (esquerdo) compensava essa falta de rotação interna da cintura escapular com um movimento extra a fim de obter o correto alinhamento do taco de golfe para a batida (N.T: Interessante analisar o posicionamento dos punhos do Tiger Woods na foto acima, os punhos estão alinhados com os antebraços). Após mobilizar a escápula esquerda e a rotação interna do quadril direito (N.T: O Fator-X mencionado antes), seu movimento durante o backswing era maior e o punho esquerdo não doía mais.
A moral da estória: "O movimento do quadril pode ter impacto no ombro do lado oposto no plano transverso".
Lembre-se, o local da lesão normalmente não é o problema, mas o sintoma. Olhe o movimento de maneira global, não de maneira local.


Estudo de Caso #3
A função do tornozelo é simples, mas incrivelmente complexa quando se pensa nas suas relações com o resto do corpo. Recentemente eu tive 2 clientes que se apresentaram na clínica: Um com dor lombar e a outra com dor no tendão patelar. Ambos tinham um histórico de lesão no tornozelo e tinham dorsiflexão limitada.

Considere as implicações deste "simples" movimento. Quando a dorsiflexão é limitada, o quadril do mesmo lado perde a extensão adequada. Isto pode reduzir o balanço do braço na flexão do ombro durante o ciclo da marcha, causando menos rotação torácica no lado oposto.
Ciclo da Marcha (Stance: apoio; Swing: balanço)

Não parece muito, no entanto, isto pode colocar mais stress na coluna lombar já que ela frequentemente compensa para produzir rotação durante o ciclo da marcha. Este era o caso do cliente que se apresentou com dor lombar. Quando o tornozelo foi mobilizado e a dorsiflexão adequada foi recuperada, adicionamos um alongamento integrado a fim de aumentar a extensão do quadril e a flexão do ombro, permitindo maior rotação no lado oposto (N.T: Rotação realizada pela coluna torácica, onde deve ser, e não pela coluna lombar).

Para a cliente com dor no tendão patelar, após restaurar a dorsiflexão adequada do tornozelo, ela foi capaz de estender adequadamente os quadris e reduzir a flexão exagerada dos joelhos durante o ciclo da marcha.
Assegure-se de que seus clientes tenham aproximadamente 40-45º de dorsiflexão do tornozelo durante o ciclo da marcha a fim de melhorar a função apropriada do corpo. Lembre-se, para que os glúteos sejam sobrecarregados de maneira adequada, é necessária a dorsiflexão do tornozelo. Se a dorsiflexão é limitada, a sobrecarga que os glúteos receberão não será a adequada.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva: O Fundamento do Treinamento Funcional - Parte 2

Aí está o complemento do artigo sobre Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva escrito pelo Lee Burton, que como já dito anteriormente é um dos criadores do FMS e será novamente um dos palestrantes do Summit Internacional do Movimento que ocorrerá na ensolarada Fortaleza na primeira quinzena de março.
Aos que ainda não leram a primeira parte do artigo, aqui está o link: Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva: O Fundamento do Treinamento Funcional - Parte 1
Nesta segunda parte Lee Burton fala de algumas das técnicas usadas no PNF bem como alguns de seus padrões.
Agradeço ao auxílio do fisioterapeuta Leandro Giacometti da Silva - Instrutor Assistente IPNFA (sigla que equivale a Associação Internacional de PNF), na tradução dos nomes em inglês das técnicas e as consultas via facebook que me auxiliaram a escrever as notas do tradutor, valeu meu camarada.

Creio que os amigos apreciarão a leitura.
Abraço a todos.


Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva:
- O Fundamento do Treinamento Funcional - 
Lee Burton


As técnicas usadas no PNF para fortalecimento, replicam movimentos e contrações musculares de muitas atividades físicas. A técnica de Iniciação Rítmica é usada tipicamente para auxiliar na educação do início do movimento (N.T: Usada em pessoas que apresentam dificuldade de iniciar e coordenar um movimento). Ela incorpora um padrão passivo, depois ativo assistido e então passa a ativo resistido, evitando um alongamento reativo (N.T: Um alongamento rápido, que por sua vez faz com que os fusos musculares contraiam, sendo que uma vez que os fusos musculares contraem fazem com que as fibras extrafusais, as fibras musculares em si, também contraiam). A técnica de Reversão Dinâmica é usada para a coordenação de um agonista e um antagonista (N.T: Muitas atividades funcionais, incluindo a marcha, requerem movimentos recíprocos. Esta técnica é usada para trabalhar a reversão da direção do movimento, com a fadiga diminuída e a força aumentada). É desempenhada por uma contração de um antagonista contra uma resistência seguida por uma contração do agonista.
O fortalecimento em uma amplitude de movimento específica pode ser completado com diferentes métodos. A técnica de Contração Repetida requer uma contração muscular repetida, uma vez que o músculo se torna fadigado, ela é suportada por um alongamento com uma contração concêntrica e excêntrica através da amplitude de movimento (N.T: Desta vez se usa o reflexo de estiramento citado anteriormente. A um padrão que já está alongado, é dado um breve e rápido estímulo de alongamento extra, produzindo então um reflexo de estiramento o que faz com que o movimento subsequente seja mais forte).

As técnicas de alongamento são usadas mais frequentemente para inibir espasticidade (N.T: Uma rigidez muscular excessiva, patológica). Existem 2 conceitos inibitórios que são aplicados durante os alongamentos do PNF. Inibição Autogênica depende das fibras nervosas de um músculo em alongamento causarem um relaxamento a esse músculo, causando portanto um maior alongamento (N.T: A inibição autogênica ocorre quando há uma tensão excessiva às fibras musculares, fazendo com que o Órgão Tendinoso de Golgi entre em ação, ele envia um sinal ao sistema nervoso central, cuja resposta é um sinal inibitório fazendo com que as fibras musculares envolvidas relaxem).
Inibição Recíproca envolve um efeito entre agonista e antagonista. A fim de um agonista contrair para gerar movimento o antagonista entra em um relaxamento reflexo para permitir a ocorrência do movimento. Prentice4 identifica as seguintes técnicas de alongamento do PNF para aumentar força muscular, resistência e coordenação:

1 - Contrair-Relaxar: Contrair-Relaxar é usado para ganhar amplitude de movimento restrita por encurtamento muscular. O paciente deve ser colocado em uma posição alongada. Ele é então instruído a contrair (N.T: Contração isotônica, o que significa que ele deve tentar vencer a resistência do terapeuta) contra a resistência do terapeuta e então relaxar. O paciente pode então ser colocado de volta a posição alongada. 
2 - Manter-Relaxar: é uma técnica similar, exceto que a contração ocorre isometricamente (N.T: Ambas as técnicas são similares e promovem relaxamento e um aumento subsequente na amplitude de movimento. Além da diferença no tipo de contração, geralmente a técnica de Contrair-Relaxar é utilizada quando não há dor envolvida no movimento, enquanto que a técnica de Manter-Relaxar é geralmente utilizada quando existe a presença de dor no movimento ou nos segmentos envolvidos).

3 - Reversão Dinâmica - Manter-Relaxar:  Envolve a contração de agonista e antagonista. Primeiro o antagonista contrai as articulações envolvidas na amplitude de movimento, o que causa um efeito de relaxamento e alongamento ao antagonista. Então, o agonista relaxa enquanto o antagonista contrai isometricamente. O passo final é outra contração do músculo agonista. Esta técnica de alongamento deve ser considerada sob o ponto de vista do antagonista (N.T: Ou seja, ele é o músculo alvo a ser alongado), que é Relaxa-Contrai-Relaxa.


Os padrões de PNF são usados para as extremidades superiores e inferiores e são divididos em D1 (diagonal 1) e D2 (diagonal 2) (N.T: Na verdade existem muito mais padrões dentro do PNF como padrões de escápula, padrões de pelve, de marcha, etc. que não são discutidos neste texto. Bem como variações dentro das diagonais de membros superiores e inferiores). O padrão da extremidade superior abarca o ombro, cotovelo, punho e dedos. De maneira similar, o padrão de extremidade inferior envolve o quadril, joelho, tornozelo e dedos. Cada padrão diagonal pode ser finalizado em flexão assim como em extensão. 
A diagonal 1 (D1) do padrão de flexão do ombro inicia com o ombro em flexão, adução e rotação externa, antebraço supinado, punho e dedos flexionados. A posição final para a diagonal 1 (D1) de flexão é: ombro em extensão, abdução, rotação externa, antebraço pronado, punho e dedos em extensão.
D1 de Flexão - Início
D1 de Flexão - Final

A diagonal 1 (D1) do padrão de extensão do ombro, reverte as ações do padrão de flexão.

A diagonal 2 (D2) do padrão de flexão inclui flexão do ombro, abdução e rotação externa, supinação do antebraço e extensão do punho e dos dedos.
Da mesma forma que na diagonal 1 (D1), o padrão de extensão da diagonal 2 (D2) reverte as ações do padrão de flexão.
D2 de Extensão - Início


D2 de Extensão - Final

Os padrões diagonais da extremidade inferior reproduzem os da extremidade superior, com os padrões de extensão fazendo as ações reversas dos padrões de flexão.
A diagonal 1 (D1) de flexão inclui: flexão do quadril, adução e rotação externa, dorsiflexão e inversão do tornozelo e extensão dos dedos.
A diagonal 2 (D2) de flexão inclui: flexão do quadril, abdução e rotação interna, dorsiflexão e eversão do tornozelo e extensão dos dedos.
(N.T: Cabe aqui uma nota mais longa, ressaltando que a nomenclatura ensinada na certificação oficial de PNF, emitida pela Associação Internacional - IPNFA, é diferente do que o autor colocou neste artigo. Não se usam mais estes termos D1 e D2 e o nome do padrão é dado à posição FINAL do movimento e não à posição inicial, como o Lee Burton colocou. Então em termos de nome do padrão é justamente ao contrário do colocado no texto. Ex: Na primeira figura ele descreve o padrão de flexão dos membros superiores, o sujeito está com o ombro em flexão, adução e rotação externa, antebraço supinado, punho e dedos flexionados. Da forma como aprendi, aquela seria a posição inicial para o padrão de EXTENSÃO e não de flexão).

O exercício Chop, comumente usado no treinamento funcional, utiliza os padrões diagonais de membros superiores (D1 e D2). O ângulo da resistência vem do alto, o que permite à extremidade superior ir de um movimento de puxar para um movimento de empurrar.
Chop - Início

Chop - Final

O exercício Lift usa o mesmo conceito, utilizando as diagonais 1 e 2 opostas, para puxar e depois reverter para uma empurrada (assim como o chop). Agora a resistência vem de baixo. Na posição ½ ajoelhada é requerido mais estabilidade, aumentando portanto o efeito proprioceptivo para realizar o movimento.
video
Lift ½ ajoelhado


Um dos padrões tradicionais do PNF usados no treinamento funcional para a extremidade inferior é a Passada Cruzada (N.T: Do original em inglês crossover step). Este movimento requer ambas as diagonais (1 e 2) de cada quadril enquanto se desempenham múltiplos passos. Afim de aumentar o grau de dificuldade podem ser usadas borrachas como resistência.

Ao ser colocada uma borracha ao redor da cintura, um aumento na irradiação pode ocorrer o que deveria aumentar a entrada de informações requerida para desempenhar o movimento5.
Passo Cruzado - Início

Passo Cruzado - Final

Uma vez que técnicas de PNF são introduzidas, é importante checar novamente os movimentos fundamentais que se mostraram disfuncionais (ou o movimento que se mostrou disfuncional). Isto irá assegurar que que o problema de mobilidade e/ou de estabilidade que está sendo atacado está tendo um efeito positivo no movimento. Este tipo de programação sistemática permitirá um contínuo retorno de informações, onde as progressões dos exercícios estão sendo baseadas em uma avaliação do movimento. Quando são vistas melhoras, pode se aumentar as demandas de resistência, agilidade, força, etc. e técnicas de PNF podem ser utilizadas para manter e progredir o indivíduo.

O PNF é projetado para melhorar o movimento através de estímulos neuromusculares apropriados de facilitação ou inibição. A fim de se ter os melhores resultados no treino funcional, os movimentos fundamentais precisam ser adequados, caso contrário, compensações irão surgir. Em muitos casos, os movimentos compensatórios que surgem são devido a rupturas no sistema neuromuscular. Esta pode não ser uma questão de flexibilidade ou força, os músculos provavelmente não são facilitados ou inibidos quando é necessário que o façam, resultando em um problema de mobilidade ou estabilidade. O PNF, é utilizado para melhorar o equilíbrio entre mobilidade e estabilidade através do fortalecimento e/ou alongamento de padrões de movimento. Com a finalidade de se determinar qual a melhor técnica a ser usada para cada indivíduo, é necessário que se tenha um parâmetro de movimento. (N.T: Como comentado antes, Lee Burton advoga o uso do FMS - Functional Movement Screen para esta finalidade, mas caso se utilizem de outra ferramenta não vejo problemas, desde que se tenha um parâmetro e uma ferramenta para avaliar movimento). Este passo inicial é necessário e altamente recomendável quando se for prescrever técnicas de PNF e métodos de treinamento funcional. Isto fornece um discernimento a respeito da área que se apresenta mais disfuncional, assim como um rápido retorno de informação a fim de determinar se a técnica usada obteve um efeito positivo.

O PNF tem sido há anos parte importante de técnicas terapêuticas. Mais recentemente, o foco em atividades funcionais permitiu que as técnicas de PNF se tornem uma parte integral deste tipo de programação de exercícios. PNF pode e deve ser incorporado em qualquer espécie de treinamento funcional, onde o sistema neuromuscular esteja causando disfunções em movimentos fundamentais. Estas técnicas devem fornecer mais efetividade no sistema de progressões da programação do treinamento.


Bibliografia Citada no Texto:
1. Voss, D.E., Ionta, M.K., Myers, B.J. Proprioceptive Neuromuscular Facilitation: Patterns and Techniques 3ª ed. 1985.

2. Cook, G. Baseline Sports Fitness Testing. In: Foran, B. High Performance Sports Conditioning. Human Kinetics. 2001: Pág. 19-47.

3. Saliba, V., Johnson, G., Wardlaw, C. Proprioceptive Neuromuscular Facilitation. In: Basmanjian, J. Nyberg, R. Rational Manual Therapies. 1993.

4. Prentice, W. E., Voight, M. I. Techniques in Musculoeskeletal Rehabilitation. 2001.

5. Cook, G., Fields, K. Functional Training for the Torso. Strength and Conditioning Journal. 19:2; 14-19. 1997.


Usei de alguns auxílios, além da contribuição do amigo Leandro Giacometti, para não falar asneira nos comentários (ou ao menos tentar), aí está.

Bibliografia Pesquisada para os Comentários:

- Tratado de Fisiologia Médica: Guyton e Hall 11ª ed. 2006.

- PNF. Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva: Um Guia Ilustrado. Susan Adler, Dominiek Beckers, Math Buck 2ª ed. 2007.

- Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva: Manual do Curso Básico - Níveis 1 e 2. International Proprioceptive Neuromuscular Facilitation Association - IPNFA. 2013.