terça-feira, 24 de março de 2015

Notas Sobre Anatomia Funcional - Final

Finalizando a série de anatomia funcional com mais alguns músculos para levarmos em consideração, o material (A série de DVDs: "Building the Efficient Athlete do Mike Robertson e Eric Cressey") é bem mais amplo, não se limitando somente a estes músculos que inseri e não fala só de anatomia.
Recomendo que vejam os dvds que são bem interessantes. 


Aos que não leram as 4 primeiras partes, aí vão os links:
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 1
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 2
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 3
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 4

Boa leitura aos amigos!


Notas Sobre Anatomia Funcional - Final 
Marcus Lima


Infraespinhoso e Redondo menor.
Infraespinhoso:
Funções Primárias: Rotação externa do úmero, estabilização da articulação glenoumeral (parte do grupo “manguito rotador”), depressão da cabeça umeral. 

Implicações:
- Fracos/alongados devido à postura.

 Quantas pessoas fazem rotações externas nos seus programas de treinamento, a fim de “fortalecer” o manguito rotador? Rotações externas (feitas geralmente com resistência elástica ou com cabos) são importantes e têm seu espaço, o que poucos prestam atenção, é o que acontece com a cabeça do úmero.
→ Muitas vezes, o que ocorre é uma anteriorização da cabeça umeral (O que Shirley Sahrman chama de Síndrome do Deslizamento Anterior: “Anterior Glide Syndrome” em seu ótimo livro – Diagnosis and Treatment of Movement Impairment Syndromes).








                                                                   






Flexores profundos do pescoço:

Músculos específicos: Longo da cabeça, longo do pescoço.

Função Primária: Flexão da coluna cervical, rotação e flexão ipsilateral.

Implicações:
- Frequentemente inibidos pelo esternocleidomastoideo e subocipitais. Lembrar da postura com a cabeça projetada a frente.

- Inibição leva ao comprometimento do movimento de flexão do pescoço (Muitas vezes levando a uma dominância do esternocleidomastoideo).

- Podemos usar o exercício de ativação dos flexores profundos do pescoço (caso se constate que estão de fato inibidos) apoiando a cabeça contra a parede (Como na figura ao lado). A dica verbal pode ser: "Faça um queixo duplo" (dica de foco interno) ou "Tente empurrar a parede (não com muita força) com o pescoço" (dica de foco externo).



OBS: Sobre dicas verbais internas x externas, traduzi um artigo interessante a respeito tempos atrás: Ciência e Aplicação de Dicas Verbais - Parte 1; Ciência e Aplicação de Dicas Verbais - Parte 2.





Serrátil anterior:
Função Primária: Manter a escápula firme contra o gradil costal, protração (abdução) e rotação superior da escápula.

Implicações:
- Frequentemente inibido em seguida a um trauma (É o vasto medial oblíquo da parte superior do corpo). Também pode sofrer inibição em virtude de má postura prolongada.

- Disfunção leva a uma escápula alada e falta de rotação superior.

- O que a falta de rotação superior da escápula causa?  = Impacto no ombro.

- Lembrar também que a torácica invariavelmente estará envolvida nos casos de impacto no ombro.

- Há uma continuidade de tecido fascial entre o serrátil anterior e os rombóides, são parte do que Thomas Myers chama de linha espiral, dentro de sua visão de continuidades miofasciais, chamada de Trilhos Anatômicos (agora já bastante conhecida aqui no Brasil). Ele os chama de "romboserrátil", quase como se fossem um único músculo, embora como vemos aqui na descrição das funções destes 2 músculos, eles tenham funções antagônicas em relação a escápula. Quase como se estivessem em um cabo de guerra (como podemos ver nas imagens abaixo, retiradas do livro: Trilhos Anatômicos).


















Rombóides:
Função Primária: Retração, elevação, rotação inferior da escápula.

Implicações:
- Podem se encontrar rígidos/encurtados 

- Ajuda a equilibrar o padrão de movimento de empurrar na horizontal (Como ao fazer um supino ou outro exercício de empurrar, lembrar do cabo de guerra com o serrátil anterior).

- Pode estar inibindo o trapézio médio e inferior.

- Síndrome da rotação inferior da escápula (Ombros caídos).




Grande dorsal:
Função Primária: Extensão, adução horizontal e rotação interna do ombro, depressão da escápula.

Implicações:
- Rígido/sobrecarregado em virtude de treinamento e postura.
Obs: Embora eles se posicionem dessa forma no material, tenho visto MUITO frequentemente o músculo grande dorsal inibido ao realizar o teste da Terapia Neurocinética (Informações sobre a Terapia Neurocinética no site da Fortius ou na página do facebook) para o grande dorsal. É uma área incerta, portanto.

- Grande dorsal e peitoral são realmente antagonistas? Sim em algumas funções, mas não em todas, assim como muitos outros pares de músculos (Antagonistas na flexão do ombro, sinérgicos na rotação interna e adução horizontal, para ficar só em funções de cadeia cinética aberta).

- Ligação miofascial com o glúteo contralateral, através da fáscia toracolombar. Fazendo com que essa conexão seja uma importante transmissora de forças. Chuck Wolf chama isso de Fator X Posterior (Saiba mais no artigo: Anatomia Funcional - Grande Dorsal, publicado no blog da Empresa Fortius de Porto Alegre) 






Teste de Comprimento para o grande dorsal:
- Coluna lombar flexionada (plana contra o solo ou uma maca).
- Joelhos flexionados.
- O individuo com os braços acima da cabeça, consegue tocar no solo?



Subescapular:
Função Primária: Rotação interna do úmero, estabiliza a articulação glenoumeral (parte do grupo “manguito rotador”), depressão da cabeça umeral, puxa a cabeça umeral posteriormente (contrabalança a força exercida pelo peitoral maior, que puxa a cabeça do úmero anteriormente).

Implicações:
- Fraco/alongado ou rígido/sobrecarregado devido à postura (Fraco/alongado devido a cabeça do úmero estar anteriorizada ou rígido/sobrecarregado pelo ombro estar em rotação interna. Pode cair nas 2 categorias).

- Síndrome do deslizamento anterior do úmero. O subescapular deveria auxiliar em conter esse deslizamento anterior, junto com o deltóide posterior.

- A cabeça umeral desliza anteriormente acompanhada de rotação interna? Mesma ideia exposta anteriormente, peitoral maior e subescapular participam da rotação interna do ombro, mas o subescapular ajuda a conter o deslizamento anterior causado pelo peitoral, se ele não funciona e o peitoral é predominante, problemas podem aparecer, como impacto anterior por exemplo.




Supraespinhoso:
Função Primária: Primeiros 15º de abdução do úmero, estabiliza a articulação glenoumeral (parte do grupo “manguito rotador”).

Implicações:
- Músculo que mais se lesiona do grupo do manguito rotador (A imagem abaixo, mostra facilmente porque). Existe pouco espaço de onde o tendão do músculo está e o acrômio, esse espaço (chamado de espaço subacromial) é muito estreito. Qualquer problema na escápula, torácica, falta de ativação apropriada nos músculos da região (ou 1 ou mais desses problemas juntos), pode fazer com que haja impacto sobre o supraespinhoso.






Bíceps braquial:
Função Primária: Flexão do cotovelo, supinação do antebraço, flexão e adução horizontal do ombro (somente a cabeça longa do bíceps), estabilização anterior da cabeça do úmero.

Implicações:
- Impacto, tendinoses (Assim como ocorre com o supraespinhoso, o tendão da cabeça longa do bíceps também pode sofrer as mesmas consequências, por estar situado na mesma área).

- Lesões no lábrum (O "menisco" do ombro, ajuda a aumentar a superfície de contato entre a fossa glenóide e a cabeça do úmero, aprofundando a concavidade da fossa). Como a cabeça longa do bíceps se origina como uma extensão parcial do lábrum, problemas no tendão da cabeça longa, irão afetá-lo. 

- Inclinação anterior da escápula. A cabeça curta do bíceps braquial, se insere no processo coracóide (Assim como o peitoral menor, quase sempre culpado pela inclinação anterior excessiva da escápula, e o coracobraquial) então, muitas vezes, a cabeça curta do bíceps tem participação na anteriorização excessiva  da escápula.


Análise estática da inclinação anterior da escápula: Os músculos do processo coracóide (Coracobraquial, cabeça curta do bíceps braquial e peitoral menor).

- Deitado, braços ao longo do corpo com as palmas das mãos para cima. A partir dessa posição, se analisa se um ou os dois ombros se eleva(m) do solo (Observar também se existe alguma assimetria entre os lados). 

Modificadores:
Se existe essa elevação do ombro do chão (causada pela inclinação anterior da escápula), podemos introduzir algumas modificações para tentar achar o culpado:
- Fazendo uma flexão do cotovelo: Coloca o bíceps braquial em uma posição “folgada”, se eliminar a anteriorização da escápula, sabemos que o bíceps é culpado.

- Flexão do cotovelo + ligeira flexão do ombro: Coloca o coracobraquial em uma posição “folgada”, se eliminar a anteriorização da escápula, sabemos que o coracobraquial é culpado.


- O que sobra? Peitoral menor. Se ao fazer as 2 modificações a posição do complexo não se alterar, sabemos que o culpado é o peitoral menor.

domingo, 26 de outubro de 2014

Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 4

Dando continuidade a série de anatomia funcional...uma das frases contidas no material, que creio melhor descrevem a importância de se ter esse conhecimento anatômico é: "A estrutura dita a função, se não entendemos a estrutura, não seremos capazes de entender a função e programar de acordo". 

Aos que não leram as 3 primeiras partes, aí vão os links:
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 1
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 2
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 3


Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 4
Marcus Lima

Antes de começar com o primeiro músculo, as fibras posteriores do glúteo médio, revisemos o que foi dito a respeito das fibras anteriores dele:


Glúteo Médio (fibras anteriores): 

Função Primária: Abdução, FLEXÃO e rotação INTERNA do quadril.

Implicações:
- Funciona de maneira similar ao tensor da fáscia lata e glúteo mínimo.

- Contribuinte para dor ântero-lateral no joelho.

- Tem uma arquitetura semelhante ao deltóide (pensar nas funções do deltóide anterior x posterior). Diferentes porções dos músculos as vezes desempenham diferentes funções.

- Uma compensação comum causada por esta por porção do glúteo médio anterior é a flexão com rotação interna do quadril (no momento da flexão do quadril acima de 90º).
  

- Tem a tendência de se sobrepor às fibras posteriores. Assim como outras estruturas anteriores do quadril, tende a ser sobrecarregado, tornando-se rígido.



Glúteo Médio (fibras posteriores): 

Função Primária: Abdução, EXTENSÃOrotação EXTERNA do quadril.

Implicações:
Devido à posição de adução e rotação interna do quadril, acaba ficando em uma posição que coloca suas fibras em alongamento e por conseqüência incapazes de exercer tensão apropriada e por conseguinte afetando a estabilidade do joelho (por isso é considerado geralmente como: alongado/fraco).
Adução e rotação interna do quadril. Teste: Step Down

- Considerado o estabilizador chave do quadril. É necessário haver um equilíbrio de forças entre estruturas anteriores do quadril, como o tensor da fáscia lata e as fibras anteriores do glúteo médio (que exercem força anterior no trato iliotibial – e por conseqüência no joelho) e as estruturas posteriores, as fibras posteriores do glúteo médio (que irão também exercer uma força posterior no trato iliotibial). Esse equilíbrio ou a falta de tem implicações na dor patelofemoral.

- Frequentemente inibido pelo quadrado lombar, músculos anteriores do quadril (tensor da fáscia lata, fibras anteriores do glúteo médio), etc.

- Notem que as fibras anteriores e posteriores do glúteo médio tem a mesma função no plano frontal: abdução do quadril, mas possuem funções antagônicas no plano transverso (fibras anteriores: rotação interna; fibras posteriores: rotação externa) e no plano sagital (fibras anteriores: flexão; fibras posteriores: extensão). 




Vasto Medial: 
Função Primária: Extensão do joelho, rotação interna da tíbia com o joelho em flexão.

Implicações:
- Fundamental na estabilização patelar (ao exercer uma força medial na patela: cabo de guerra contra as estruturas que puxam a patela lateralmente).

- Na maior parte das vezes inibido, com as estruturas que exercem tensão lateral, sendo dominantes (vasto lateral, trato iliotibial), por vezes com a conseqüência de dor lateral no joelho.

- As fibras distais do músculo, o chamado vasto medial oblíquo (chamado assim pela orientação das fibras) são as que se tornam inibidas durante traumas no joelho (o termo inibido representa um atraso no tempo de resposta da ativação do músculo).

- Nas palavras do apresentador do material, o Mike Robertson, uma possível abordagem nesses casos seria:
      - Liberação das estruturas laterais (através das técnicas disponíveis: manuais ou de autoliberação): vasto lateral, glúteo médio anterior, tensor da fáscia lata.
- Ativação da porção posterior do glúteo médio.
A tradicional crença no fortalecimento do vasto medial oblíquo talvez não seja possível de ser realizada. 
E nas minhas palavras, provavelmente após isso, tenhamos de integrar essa abordagem sugerida em outras atividades: treino de força unilateral de membros inferiores, saltos unilaterais com ênfase inicial na desaceleração, etc. Lógico que cada caso deve ser analisado individualmente.
À esquerda: Agachamento unilateral; À direita: salto unilateral na caixa (ou box hops, em inglês)



Reto abdominal: 
Função Primária: Flexão do tronco, depressão do gradil costal, retroversão pélvica. 

Implicações:
- Alongado/fraco (mesmo raciocínio exposto acima em relação às fibras posteriores do glúteo médio), devido a anteversão pélvica, especialmente sua porção distal (que insere na sínfise púbica).

- Prescrever abdominais tradicionais (crunches na língua inglesa) é a solução? Estaremos treinando apenas uma função: a flexão do tronco. Lembrar do encurtamento adaptativo, para aqueles que fazem milhares de abdominais diariamente. Neste cenário, é provável que a função do glúteo sofra, tornando-se inibido e contribuindo para todos tipos de disfunções: lombar, joelho, isquiotibiais, adutores, etc.


- Na primeira implicação, vemos um cenário: posição alongada; na segunda, outro cenário: posição encurtada. É necessário que haja um alinhamento neutro da pelve.

- Talvez seu papel mais importante seja a de prevenir movimento: Função "anti-extensão lombar", e não produzi-lo, embora possa fazê-lo e muitas vezes seja necessário que o faça em muitas atividades.

- A estrutura dita a função, se não entendemos a estrutura, não seremos capazes de programar de acordo.

- De acordo com Stuart McGill (reconhecido expert na área da coluna lombar), necessitamos de estabilidade na lombar, mobilidade nos quadris e coluna torácica, a fim de poupar a lombar de carga excessiva. Um conceito já bastante conhecido, estabilidade no centro, mobilidade acima e abaixo dele.



Peitoral maior: 
Função Primária: Flexão e adução horizontal do ombro, rotação interna da articulação glenoumeral (com uma puxada anterior da cabeça do úmero).

Implicações:
- Roda a cabeça umeral internamente, mas  além disso a puxa anteriormente. 

- Duas porções diferentes: esternal e clavicular.

- Rígido/sobrecarregado em virtude de postura e treinamento.

- Síndrome do "supino", comum em frequentadores de academias, excesso do padrão de empurrar em comparação com a falta do padrão de puxar no treinamento (desequilíbrio entre os padrões no treino de força).

- Quantos pessoas passam horas sentadas? = Postura adaptativa.




Peitoral menor: 

Função Primária: Protração (abdução) da escápula, depressão e rotação inferior da escápula, estabilização escapular. 

Implicações:
- Notar a inserção no processo coracóide: Implicações no deslizamento anterior da escápula ("Síndrome do deslizamento anterior da escápula": Causando impacto nos tecidos moles através da diminuição do espaço sub-acromial).

- Melhor tratamento são métodos manuais de liberação para este músculo.
Rotação superior e inferior da escápula
Espaço subacromial



Trapézio superior: 

Função Primária: Elevação e rotação superior da escápula.

Implicações:
- Rígido/sobrecarregado em virtude de postura e treinamento.

- Dominante em relação ao trapézio médio e inferior.

- Par de forças juntamente com serrátil anterior e trapézio inferior para produzir rotação superior da escápula, precisam trabalhar sinergisticamente de maneira apropriada, a fim de não ocorrer um desequilíbrio que leve a compensações e consequentemente a problemas no ombro. O serrátil anterior é parte importante da equação, tende a ser inibido frequentemente pelas fibras superiores do trapézio.

- Podem estar inibidos, embora não seja comum.  



Levantador da escápula: 
Função Primária: Elevação e rotação inferior da escápula.

Implicações:
- Culpado por associação com o trapézio superior - pessoas com ombros encolhidos no computador por exemplo.

- Implicações em dores de cabeça e dor na borda medial da escápula.

- Compensação em pessoas com impacto no ombro. Se o supraespinhoso por alguma razão, se encontra impedido de realizar a sua função de elevar o úmero nos primeiros 15º do 

movimento (devido a lesão, alguma ruptura ou inibição), o levantador da escápula compensa encolhendo o ombro (provavelmente com alguma participação do trapézio superior) colocando o úmero em uma posição de aproximadamente 15º de abdução para que o deltóide possa assumir o movimento dali por diante. 

- Sempre observar a relação entre a borda medial e lateral da escápula. Em pessoas com "Síndrome de rotação inferior da escápula": Pessoas com a escápula rodada inferiormente, comum em quem senta por longas horas no computador com o teclado ou os braços da cadeira muito baixos, a borda medial da escápula ficará mais próxima à coluna torácica. O resultado comum, é rigidez no rombóide, levantador da escápula e inibição do serrátil anterior, com consequências diversas: dor medial na escápula, dores de cabeça, impacto no ombro, etc.



Esternocleidomastóideo:
Função Primária: Rotação no lado OPOSTO à contração (Ex: quando o lado direito contrai, a cabeça gira para a esquerda), flexão lateral do pescoço (no lado da contração), agindo em conjunto flexionam o pescoço. 

Implicações:
- Protrusão do pescoço (cabeça à frente).

- Dominante em relação aos flexores profundos do pescoço (músculos longo da cabeça e longo do pescoço). 

- Puxa a cabeça anteriormente (postura da cabeça a frente).




Redondo Maior:
Função Primária: Extensão e adução horizontal do ombro, rotação interna da articulação glenoumeral.

Implicações:
- Rígido/sobrecarregado em virtude de treinamento e postura (excessiva rotação interna do úmero).

- “Mini grande dorsal”, funções parecidas, embora não o mesmo comprimento de alavanca do grande dorsal.







Trapézio médio e inferior:
Função Primária: Médio: retração (adução) da escápula; Inferior: depressão, retração e rotação superior da escápula.

Implicações:
- Frequentemente inibidos pelas fibras superiores.

- Difícil de serem treinados, difícil das pessoas terem a percepção do que devem fazer nos exercícios de ativação das fibras médias e inferiores do trapézio.

- Trapézio inferior forma uma combinação de forças com o serrátil anterior e o trapézio superior na rotação superior da escápula (relação explicada mais acima no artigo).


Breve a parte final do artigo...

domingo, 19 de outubro de 2014

Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 3

E seguem as notas a respeito do material do Cressey/Robertson: Building the Efficient Athlete, lembrando que a série de dvds é muito mais abrangente, eu é que me detive nesse aspecto: Considerações relacionadas à anatomia funcional. 

Aos que não leram as 2 primeiras partes, aí vão os links:
Notas em Anatomia Funcional - Parte 1.
Notas em Anatomia Funcional - Parte 2.

Um grande abraço a todos e espero que me perdoem a demora eterna em publicar, aproveito e agradeço as muitas manifestações de apreço que recebo, obrigado gurizada!


Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 3
Marcus Lima


Fibular Longo: 
Função Primária: Eversão (abdução do pé), contribui na flexão plantar.

Implicações:
- Normalmente rígidos/sobrecarregados juntamente com o gastrocnêmio/sóleo. Os flexores plantares normalmente são sobrecarregados, pensar em quantos passos são dados diariamente (ou corridas, etc.) reforçando essa rigidez/atividade anormal.  

Desequilíbrio entre Flexores plantares x Dorsiflexores. Problemas na perna podem causar problemas mais acima na cadeia cinética. 










Gastrocnêmio/Sóleo:
Gastrocnêmio à esquerda e sóleo a direita
Função Primária: Flexão plantar; flexão do joelho (gastrocnêmio). Ainda que sejam referidos normalmente em conjunto e tenham funções semelhantes, tem algumas funções diferentes (lembrar que só o gastrocnêmio cruza a articulação do joelho)

Implicações:
- Desequilíbrio muscular na perna: gastrocnêmio/sóleo rígidos/sobrecarregados X dorsiflexores (como o Tibial Anterior) fracos/inibidos.
Flexão plantar
- Pensar no item anterior, e na falta de mobilidade de tornozelo que vemos em grande parte das pessoas, ao prescrevermos exercícios para a perna (como os exercícios com foco na panturrilha, tão comuns em academias).

- Problemas na panturrilha refletem em problemas como: tendinoses no tendão calcâneo, fasciite plantar (Lembrar da Linha/Trilho Superficial Posterior - Thomas Myers: O conhecido conceito das continuidades de fáscia e/ou continuidades mecânicas interligando diferentes locais do corpo ao qual o Myers chama de trilhos, em uma analogia com linhas férreas. Poderíamos chamar também de cadeia posterior).
Linha Superficial Posterior
(da fáscia plantar até a fáscia do couro cabeludo)


Oblíquo interno:

Função Primária: Flexão do tronco (ação bilateral), rotação do tronco (ação unilateral em conjunto com o oblíquo externo oposto).

Implicações:
- Recrutado mais para flexão do tronco do que para retroversão da pelve. 















Transverso abdominal:


Função Primária: Expiração forçada, “encolher a barriga” (abdominal hollowing) – aumento da pressão intra-abdominal.

Implicações:
- Ganhou muita fama como promotor da saúde lombar no final da década de 90 e início da década de 2000 (provavelmente devido a um estudo de Paul Hodges e Carolyn Richardson, que demonstrou que indivíduos com dor lombar crônica tinham atividade diminuída do transverso abdominal, mais precisamente um atraso na ativação, quando comparados a indivíduos saudáveis).

- Stuart McGill, conceituado pesquisador canadense, advoga o uso de bracing (técnica de “enrijecer” a parede abdominal) para ter um tronco estável ao realizar tarefas, com cargas pesadas principalmente. Vejo muito uma combinação de respiração diafragmática (aumentando a pressão intra-abdominal, como um balão cheio de ar) + a técnica de bracing. O resultado (ao menos empiricamente) é um tronco estável e apto a receber carga.

- A menos que haja alguma questão específica, treinar o transverso é algo que não deveria nos preocupar.


Multífidos:



Função Primária: Estabilização segmentar (entre os segmentos vertebrais), propriocepção espinhal.

Implicações:

- Similar ao transverso abdominal, abordado anteriormente, em casos de dor lombar tendem a estar inibidos ou com atraso de ativação.

- A função proprioceptiva, talvez seja a mais importante, informando ao sistema nervoso central o que está ocorrendo na coluna.








Glúteo Máximo:


Função Primária: Extensão, rotação externa e abdução do quadril.

Implicações:
- Tendem a estar fracos e com comprimento muscular maior do que o normal (“alongado”) devido à anteversão pélvica.

- Fraqueza/inibição, leva a uma série de problemas: estiramentos de adutores e isquiotibiais (estes 2 problemas provavelmente ocorrem devido a uma dominância dos sinergistas, os auxiliares, na extensão do quadril. O velho caso de: Se o Chefe-glúteo não faz seu trabalho os Auxiliares-isquiotibiais-ou-adutores tomam a tarefa para si, e sobrecarregados tendem a sofrer lesões). Dores lombares podem ter relação com fraqueza/inibição do glúteo máximo (de novo, se o glúteo não faz o trabalho, provavelmente a quantidade de extensão lombar aumenta em uma tentativa de compensar).

- Não basta somente ativar os músculos (com progressões de pontes ou progressões em 4 apoios), estes músculos precisam ser mais fortes também.

- Relação com a síndrome do deslizamento anterior da cabeça femoral (impacto anterior no quadril). O glúteo, por ter inserção direta no fêmur, tem papel importante em manter a cabeça do fêmur contra o acetábulo, controlando uma rotação apropriada na articulação (um eixo de rotação correto e equilibrado), puxando a cabeça do fêmur posteriormente. Se por exemplo os isquiotibiais assumem o trabalho principal na extensão do quadril, a alavanca produzida por eles faz com haja uma translação anterior da cabeça do fêmur = impacto anterior no quadril = dor anterior no quadril (Essa é uma teoria da fisioterapeuta Shirley Sahrmann, sugiro a leitura de seu livro: Diagnoses and Treatment of Movement Impairment Syndromes).

Espero não demorar tanto tempo para publicar a próxima...